Se chiclete não perdesse o gosto, chiclete não teria graça.
Imaginem ficar mastigando a goma 1 hora, 2, 5, 30 horas, sempre o mesmo gosto, uma chatice enjoativa sem sentido. Ninguém iria mascar chiclete. Mas quando o chiclete perde o gosto, a gente se aborrece, sem se dar conta de que o perder o sabor é a sua própria alma. Viajar é gostoso, não é?
Friday, August 15, 2008
Tuesday, April 29, 2008
No espaço

"Pois... neste mundo nefando,"
me disse um velho aldeão,
"mais vale um pássaro na mão,
do que um padre voando."
Sunday, April 27, 2008
Como já disse, o problema é fórmico. Falta de assunto as quatro da manhã, não me acontece. Caetano na Itapema. Preciso de óculos, esse já venceu. Muito riscado e já preciso de aumento maior. Agora é enrolar até encontrar o que dizer antes de perder a tua atenção.
Estava pensando sobre ciúme. Um sentimento pervertido já no macaco. Alguma emoção basicamente útil deve ter degenerado nessa que já nem útil é. Não serve para nada. A posse exclusiva do corpo de outrem é coisa degenerada da garantia de paternidade. Sentimento que teria evoluído de qual ânsia macáquica? A mesma? Que mal pode fazer a ti que alguém a quem ames seja feliz com o corpo que tem nos braços de quem seja?
Vergonha da comparação? Medo? Ah! Mas tem os segredos partilhados, a intimidade... Bem, mas isso não é bom? Essa sensação misteriosa de, de alguma forma, compartir o tempo no planeta não é boa? Tem de ser só contigo?
Estava pensando sobre ciúme. Um sentimento pervertido já no macaco. Alguma emoção basicamente útil deve ter degenerado nessa que já nem útil é. Não serve para nada. A posse exclusiva do corpo de outrem é coisa degenerada da garantia de paternidade. Sentimento que teria evoluído de qual ânsia macáquica? A mesma? Que mal pode fazer a ti que alguém a quem ames seja feliz com o corpo que tem nos braços de quem seja?
Vergonha da comparação? Medo? Ah! Mas tem os segredos partilhados, a intimidade... Bem, mas isso não é bom? Essa sensação misteriosa de, de alguma forma, compartir o tempo no planeta não é boa? Tem de ser só contigo?
Qualquer relacionamento afetivo contigo é limitante e és apenas canalha. Mas é só questão de processar a questão. A gente faz as pazes se deixas de canalhice para com quem, veja bem, afirmas amar. Isso ai não faz a menor diferença.
Saturday, April 26, 2008
No sótão

Encontrei dois velhos pergaminhos.
No primeiro, havia doze cantilenas.
No segundo, tinha uma frase apenas:
"Águas geladas não movem moinhos".
Friday, March 21, 2008
Sangue, seda e chocolate
Quem não sabe a maior distância possivel entre um coração e um cérebro humanos? Refiro-me às peças vivas e pertencentes ao mesmo naco de gente. Pois não há cérebro capaz de manter-se vivo atuando mais do que meia centena de centimetros longe da bomba que lhe toca combustível.
Digo isso para ilustrar que embora a natureza não seja, por natureza, sábia, os fatos que a conformam tem rigor matemático. Mas o imponderável pulula e desafia a severidade natural. Um mais um é dois e dois é maior do que um. Algo bom com algo bom, há de ser coisa melhor. Seda natural é estrutura agradável de tocar. Uma blusa de seda recheada de Anna Hickmann há de ser ao menos duplamente mais aprazível.
Contudo, como referi acima, armadilhas existem nas dobras da precisão. Em época de Páscoa, é possível ver propostas reconciliações bizarras. Há quem postule, por exemplo, unir espaguete a molho de chocolate. Só a menção já traz náuseas. Então, bom com bom não é, necessariamente, bom pra caralho.
Digo isso para ilustrar que embora a natureza não seja, por natureza, sábia, os fatos que a conformam tem rigor matemático. Mas o imponderável pulula e desafia a severidade natural. Um mais um é dois e dois é maior do que um. Algo bom com algo bom, há de ser coisa melhor. Seda natural é estrutura agradável de tocar. Uma blusa de seda recheada de Anna Hickmann há de ser ao menos duplamente mais aprazível.
Contudo, como referi acima, armadilhas existem nas dobras da precisão. Em época de Páscoa, é possível ver propostas reconciliações bizarras. Há quem postule, por exemplo, unir espaguete a molho de chocolate. Só a menção já traz náuseas. Então, bom com bom não é, necessariamente, bom pra caralho.
Thursday, March 20, 2008
O falso ex-"doutor"
É sábado. Está com a família na serra.
De carro, se aproxima do restaurante escolhido para almoçar: um lugar muito agradável e de boa mesa, perto do centro da cidade.
Quando reduz a velocidade em busca de uma vaga improvável, um guardador uniformizado vem em sua direção.
Abre o vidro.
- Vai ao restaurante? - pergunta o homem.
- Sim. - responde.
O guardador olha ao redor, procurando uma vaga inexistente.
Retorna o olhar para dentro do carro e, subitamente, exclama:
- Doutor! Só agora o reconheci!
Olha para o homem, que mira seu rosto pelo vidro aberto. O "doutor" era mesmo ele.
- Entra na garagem!, diz o guardador, apontando para um prédio ao lado.
E continuou:
- Eu cuido deste prédio, doutor. Vou lhe deixar estacionar numa vaga - complementou, abrindo o portão elétrico com o controle.
O “doutor” deixa os acompanhantes descerem, entra na garagem e estaciona.
Saem da garagem conversando, como velhos conhecidos.
Após o almoço, degustando o expresso, o “doutor” reserva alguns instantes para decidir como será o final da sua relação com o guardador. Não era algo tão simples. Ele era o "doutor" e pelo sorriso e gentileza oferecidos ao ser "reconhecido" ficara com a certeza de que o doutor costumava oferecer ao homem gorjetas generosas pelos serviços. Quanto deveria dar? O normal? O dobro? 20 vezes? Até mais, pensou. Se o "doutor" fosse um ricaço realmente generoso, certamente oferecia muito mais. Alguns ricos são pessoas excêntricas ao extremo. Lembrou do garçom Jose Costa, do L'Hotel, em São Paulo. Uma feita, ganhou US$ 1.000 de um hóspede satisfeito. Exemplos do tipo havia outros e ainda maiores. Não era uma decisão assim simples. Tinha que ser bem pensada, pra não alcançar uma quantia que parecesse ridícula.
Ao sair do restaurante, o homem veio em sua direção. Puxou conversa sobre o almoço, antes de abrir o portão da garagem. Adentraram. Pouco antes de entrar no carro, enquanto entregava a gorjeta habitual destinada aos guardadores de carros, o “doutor” se aproximou o suficiente para que pudesse segredar ao guardador:
- Estou praticamente falido!
De carro, se aproxima do restaurante escolhido para almoçar: um lugar muito agradável e de boa mesa, perto do centro da cidade.
Quando reduz a velocidade em busca de uma vaga improvável, um guardador uniformizado vem em sua direção.
Abre o vidro.
- Vai ao restaurante? - pergunta o homem.
- Sim. - responde.
O guardador olha ao redor, procurando uma vaga inexistente.
Retorna o olhar para dentro do carro e, subitamente, exclama:
- Doutor! Só agora o reconheci!
Olha para o homem, que mira seu rosto pelo vidro aberto. O "doutor" era mesmo ele.
- Entra na garagem!, diz o guardador, apontando para um prédio ao lado.
E continuou:
- Eu cuido deste prédio, doutor. Vou lhe deixar estacionar numa vaga - complementou, abrindo o portão elétrico com o controle.
O “doutor” deixa os acompanhantes descerem, entra na garagem e estaciona.
Saem da garagem conversando, como velhos conhecidos.
Após o almoço, degustando o expresso, o “doutor” reserva alguns instantes para decidir como será o final da sua relação com o guardador. Não era algo tão simples. Ele era o "doutor" e pelo sorriso e gentileza oferecidos ao ser "reconhecido" ficara com a certeza de que o doutor costumava oferecer ao homem gorjetas generosas pelos serviços. Quanto deveria dar? O normal? O dobro? 20 vezes? Até mais, pensou. Se o "doutor" fosse um ricaço realmente generoso, certamente oferecia muito mais. Alguns ricos são pessoas excêntricas ao extremo. Lembrou do garçom Jose Costa, do L'Hotel, em São Paulo. Uma feita, ganhou US$ 1.000 de um hóspede satisfeito. Exemplos do tipo havia outros e ainda maiores. Não era uma decisão assim simples. Tinha que ser bem pensada, pra não alcançar uma quantia que parecesse ridícula.
Ao sair do restaurante, o homem veio em sua direção. Puxou conversa sobre o almoço, antes de abrir o portão da garagem. Adentraram. Pouco antes de entrar no carro, enquanto entregava a gorjeta habitual destinada aos guardadores de carros, o “doutor” se aproximou o suficiente para que pudesse segredar ao guardador:
- Estou praticamente falido!
Wednesday, January 30, 2008
Forma.
Se a forma e o esquema
são a luz de um poema
isso, por norma,
não se traduz.
Já o sentido,
por funda sonora verdade,
é sempre bonito, na real não importa
se na minha língua
ou na tua.
Como o gosto do beijo que é bom
são a luz de um poema
isso, por norma,
não se traduz.
Já o sentido,
por funda sonora verdade,
é sempre bonito, na real não importa
se na minha língua
ou na tua.
Como o gosto do beijo que é bom
na minha boca ou nas duas.
E Tem Mais...!
O desenvolvimento tecnológico do qual hoje usufruímos e que resume a totalidade real de nosso progresso como espécie, resultou do abandono gradual da religião como monitora de nossa filosofia, arte e ciência.
Quando nos referimos ao fato de que progredimos mais técnica e industrialmente do que espiritual e socialmente, evitamos tocar no óbvio. Não avançamos no terreno social e espiritual, naquilo que isso tem de convivência harmônica de grandes grupos humanos ou de simples relacionamentos individuais, simplesmente porque nestes assuntos ainda não abandonamos as religiões.
Nosso progresso moral, social e individual, ainda é cerceado pela crença tola e estúpida de que existem rituais a cumprir para merecermos uma vida além da morte. Vida essa que não se comprova, mas que absurda e religiosamente é propagada de pais para filhos, como se não tivéssemos vindo para viver, mas simplesmente morrer.
A educação da maioria dos seres humanos ditos civilizados começa pela instilação covarde de uma mentira, que se algum dia teve lugar no desenvolvimento da espécie, já não tem mais. É só estorvo. Como o foi para as ciências exatas.
Chamo a atenção, quando se diz acertada e cinicamente que o homem é um animal inviável, deve-se também levar em conta que tudo o que temos para observar é uma manada que já na infância foi mutilada espiritualmente.
Quando nos referimos ao fato de que progredimos mais técnica e industrialmente do que espiritual e socialmente, evitamos tocar no óbvio. Não avançamos no terreno social e espiritual, naquilo que isso tem de convivência harmônica de grandes grupos humanos ou de simples relacionamentos individuais, simplesmente porque nestes assuntos ainda não abandonamos as religiões.
Nosso progresso moral, social e individual, ainda é cerceado pela crença tola e estúpida de que existem rituais a cumprir para merecermos uma vida além da morte. Vida essa que não se comprova, mas que absurda e religiosamente é propagada de pais para filhos, como se não tivéssemos vindo para viver, mas simplesmente morrer.
A educação da maioria dos seres humanos ditos civilizados começa pela instilação covarde de uma mentira, que se algum dia teve lugar no desenvolvimento da espécie, já não tem mais. É só estorvo. Como o foi para as ciências exatas.
Chamo a atenção, quando se diz acertada e cinicamente que o homem é um animal inviável, deve-se também levar em conta que tudo o que temos para observar é uma manada que já na infância foi mutilada espiritualmente.
É isso. Só precisamos mudar as bases de nossa civilização, e de qualquer das atuais, e tudo melhora.
Sunday, September 09, 2007
Filhos.
Teus filhos não te seguem e nem os meus a mim,
estes meninos e meninas
que são a nossa cara, como nós de seus avós,
alcançarão manhãs que não veremos e aceitarão o futuro,
qualquer que ele seja,
no instante exato em que escapando de nossas garras,
já senis e impotentes, cair em suas mãos ansiosas.
Não tem de ser assim, mas vai acontecer,
há muito que as gerações que se sucedem herdam uma realidade ruim
e, na medida de suas capacidades, inspiração e técnicas,
a tornam um pouco ou um muito pior.
Pobre juventude,
o futuro que nos permitimos preparar
vai atingi-los em cheio!
E que desculpa dar,
o que responder a quem herda um ninho quebrado?
Ao menos um caminho a não seguir,
um livro de erros a não cometer, mas não, nem isso...
Mentindo, inventando progredir, escrevemos a história
omitindo nosso fracasso em simplesmente existir.
Ainda que um Deus nos tivesse encarregado da Terra,
a responsabilidade seria nossa,
mas por que cuidar de um jardim do qual seremos expulsos?
Resta que o colapso de nossa civilização
pode não significar o fim da humanidade
e certamente não o será da vida que vai seguir sem nós,
aqui ou em qualquer lugar do universo.
(a.sisson)
Teus filhos não te seguem e nem os meus a mim,
estes meninos e meninas
que são a nossa cara, como nós de seus avós,
alcançarão manhãs que não veremos e aceitarão o futuro,
qualquer que ele seja,
no instante exato em que escapando de nossas garras,
já senis e impotentes, cair em suas mãos ansiosas.
Não tem de ser assim, mas vai acontecer,
há muito que as gerações que se sucedem herdam uma realidade ruim
e, na medida de suas capacidades, inspiração e técnicas,
a tornam um pouco ou um muito pior.
Pobre juventude,
o futuro que nos permitimos preparar
vai atingi-los em cheio!
E que desculpa dar,
o que responder a quem herda um ninho quebrado?
Ao menos um caminho a não seguir,
um livro de erros a não cometer, mas não, nem isso...
Mentindo, inventando progredir, escrevemos a história
omitindo nosso fracasso em simplesmente existir.
Ainda que um Deus nos tivesse encarregado da Terra,
a responsabilidade seria nossa,
mas por que cuidar de um jardim do qual seremos expulsos?
Resta que o colapso de nossa civilização
pode não significar o fim da humanidade
e certamente não o será da vida que vai seguir sem nós,
aqui ou em qualquer lugar do universo.
(a.sisson)
Monday, February 12, 2007
Friday, December 15, 2006
Associacionismo
Quando a viu, tentou não a ver. Fixou os olhos através do vestido transparente que deixava o contorno das pernas à mostra contra a claridade, e tentou enxergar o que não era ela, porque as curvas feitas sombra arrastou o seu cérebro. Só depois elevou os olhos e atinou que havia mais a desfrutar no andar de cima. Os seios, semi-cuias, ameaçando saltar para fora da camisa de seda e também o rosto. “Linda!”, pensou. Seguiu-a com os olhos, segurando-se para não segurá-la e agarrando-se em escrúpulos, para não agarrá-la. Quando ela sumiu na esquina, tornando-se um vapor em sua memória, exclamou mentalmente num tom de quase desespero: “Com uma mulher dessas e um pacote de bolachas Maria, dá bem para passar uma tarde”.
Sunday, December 10, 2006
O fim da poluição
É fácil resolver o problema da poluição no mundo.
Basta baixar uma lei mundial, nos moldes da que existe para carros em SP: num dia, podem respirar as pessoas nascidas em mês par, no outro as nascidas em mês ímpar. Em apenas dois dias está resolvido.
Clara que, como sempre, haverá aqueles que tentarão burlar a lei.
Para estes, pena de morte. Por suicídio, para evitar que a sentença não seja executada por falta de carrasco.
Basta baixar uma lei mundial, nos moldes da que existe para carros em SP: num dia, podem respirar as pessoas nascidas em mês par, no outro as nascidas em mês ímpar. Em apenas dois dias está resolvido.
Clara que, como sempre, haverá aqueles que tentarão burlar a lei.
Para estes, pena de morte. Por suicídio, para evitar que a sentença não seja executada por falta de carrasco.
Saturday, December 09, 2006
Conto desconexo
Levantou na hora de sempre: a hora de ir à escola.
Foi ao guarda-roupas e constatou algo estranho: não havia camisetas disponíveis, apenas moletons. Intrigado, ficou imaginando o que houvera. Então, deu-se conta de que estava em férias. Intrigado ficou, tentando desvendar a ligação entre as férias e o desaparecimento das camisetas. Sem encontrar nexo causal, vestiu um moleton, pegou a mochila de livros e rumou pra escola.
Foi ao guarda-roupas e constatou algo estranho: não havia camisetas disponíveis, apenas moletons. Intrigado, ficou imaginando o que houvera. Então, deu-se conta de que estava em férias. Intrigado ficou, tentando desvendar a ligação entre as férias e o desaparecimento das camisetas. Sem encontrar nexo causal, vestiu um moleton, pegou a mochila de livros e rumou pra escola.
Saturday, August 26, 2006
(In)certeza
Se da razão era o dono,
indagavam noite e dia:
por que não subia ao trono?
por que tanto discutia?
indagavam noite e dia:
por que não subia ao trono?
por que tanto discutia?
Sunday, August 20, 2006
Alguns Pressupostos
Sem entrar em generalidades como pactos sociais, grandes movimentos, decisões ou o que quer que seja de muito gigantesco, geral ou atinente a espécie, somos todos grandes mentirosos. O amor à opinião dos outros obriga a maioria. Mentiras sobre felicidade no casamento, uma pequena omissão nas conseqüências trágicas daquele porre portentoso.
Nem gosto tanto assim de vinho, mas quantos podem tomar um sei lá o quê safra tal? Ou o carro que uns poucos têm? E que tal se sentir membro de uma comunidade de intelectuais incompreendidos por um tempo néscio e medíocre: um raro? E ser considerado um artista? E o orgulho de “se eu quisesse eu seria”, escondendo o medo de provar, sem a menor sombra de dúvida e para si mesmo, que não é? O “só não faço porque não quero”, “não acho certo” ? Puá... E os que são a nata dos diferentes? Tão independentes que só não se permitem ser iguais e exatamente nisto são cópias dos piores?
De muito inferior posição na escala moral ou social, sinto-me à vontade para aceitar isso em mim sem que me obriguem e, principalmente, culpa alguma. E a ninguém responsabilizo. Minha preocupação quanto ao bem estar do próximo se restringe aos muito próximos afetivamente ou aqueles cuja existência me faz agrado. O que é válido para a moça da mercearia ou para o dono da padaria. Mas sim! Muito ruim que estejam matando tanto por lá, mas quem preferiria que fosse por aqui?
Oh! Que horror! Guerras por todos os lados! Mas, pô pessoal, gente guerreia... basta um líder. E há os que clamem por um destes prebostes do altíssimo batendo com a própria individualidade e independência orgulhosamente no peito. Patético. Patético e monótono.
Thursday, August 03, 2006
Pura Perda.
A presença do trinta e oito engatilhado, a respiração nervosa e entrecortada do assaltante o faz tremer. Difícil acertar a combinação do cofre. Suor frio. Essa merda não abre. Calma. O cofre abre. O tiro entra pela nuca. Muito sangue e agora parte dos miolos são o único conteúdo do cofre. A queima roupa o refluxo do sangue respinga tudo, está coberto de sangue.
Merda. Um assassinato por nada. Não tinha ficha policia e agora está nessa roubada. Um crime de morte. Não pensou nada, a arma disparou por descuido e nervosismo. Ficar calmo. O prédio é de muito movimento. O ruído do disparo não deve ter chamado atenção. Da porta se vê o corpo, o escritório é pequeno. Vai até a porta. Ninguém no corredor. O elevador dá sinal e para, um homem e uma mulher. Despedem-se, o homem vem em sua direção, a mulher volta para o elevador e desaparece.
O homem pergunta pela pequena joalheria. Ele aponta o letreiro na porta: Jóias Pamb. Deixa que o homem passe. Entra atrás e fecha a porta. Está lúcido. Domina o recém chegado.
Tudo incomoda. O cheiro do sangue, o cadáver esvaziado de merda e mijo. A situação escrota. A informação errada, o cofre vazio, o crime por nada. Os edifícios à frente não têm boa visão do cubículo. Apenas uma sala e o banheiro. Uma janela para os edifícios, outra no banheiro para o poço de ventilação do prédio.
O homem tem a mesma estatura, pouco mais alto. Limpa-se o melhor possível e força a troca de roupa com o refém que só trata de obedecer e pedir calma. Ficou fácil. Examina os bolsos. Pouco dinheiro. Documentos. Livra-se dos documentos no poço do prédio e conserva os seus. Uma identidade falsa que vai ter de inutilizar. Pena, gostava de ser Prof. Engenheiro Humberto Roman. Liga para a polícia. Assalto com tiros na galeria Empty Panellieri. Quinto andar. Joalheria Pamb.
Observa a rua e aguarda. A polícia chega. Apenas um carro. É pouco. Atira várias vezes na viatura. Pânico. Correria. A demora usual das unidades de resposta rápida e está cercado. Atiradores de elite, ambulâncias, imprensa, a festa toda. Liga para a polícia, informa do refém. Desconfia da polícia e exige se entregar ao exército. Um prato para a mídia.
Espera. O telefone toca. Atende. Um comandante do exército. Diz que vai se entregar e interrompe com ruídos simulando luta. Deixa cair o telefone sem desligar. Sempre derrubando coisas, traz o refém até perto do telefone, abraça-se a ele e atira no coração, à queima roupa.
Completamente descontrolado, aos gritos, alcança o telefone e continua berrando “eu o peguei, eu o peguei”, começa a soluçar e corta a ligação. Arruma o que falta, arma na mão deste segundo morto numa posição possível.
Treme descontroladamente e chora muito. Impossível falar. Ensangüentado em estado de choque, é levado para o hospital. Identificado como o refém que dominou o assaltante é deixado para descansar antes mesmo de ser interrogado. Desaparece.
Não vai voltar a cidade. No aeroporto lê sobre o caso que já não tem o mesmo destaque dos primeiros dias. O estardalhaço inicial fez com que seus contatos desaparecessem. Dois assassinatos. Pura perda.
Wednesday, August 02, 2006
O Morto.
O cara estava ali. Os corpos também. Não sabia porque os tinha matado, apenas mais um serviço bem feito. Mãos amarradas, pouca confusão. Sacos de plástico na cabeça, um tiro na têmpora de cada um. O espirro de sangue fica quase todo no saco. Trabalho limpo. Retira a pasta, troca o conteúdo e elimina os sinais.
Apaga a luz e sai, fecha a porta do escritório. Advocacia, Testamentos e Espólios. Dr. Erny Junior e Dr. Luiz Felipe Martins.
A riqueza lhe tinha vindo na adolescência, com os pais ainda vivos, quando da descoberta do petróleo no campo e morria ainda mais rico. Nasceu e cresceu matuto e morrerá matuto, mas tem filhos. Muitos casamentos. Explorado por todos. Não tem educação, mas todos a sua volta sim. Proveu bem a todos. Todos longe. O suficiente para esbanjar a fortuna de forma planetária. Sente que todos o desprezam. Retira-se para a mansão no campo original. O campo devastado, as máquinas, as bombas de petróleo. É onde passa os últimos anos. Morre sozinho.
Não deixou testamento. Uma nota é encontrada, dirigida a toda a família:
“Senhores,
Resolvi não deixar descendentes. Contratei a morte de todos.
Atenciosamente,
O morto.”
Aqui é que começa a história, como todos têm imaginação, mas o talento de contar histórias me falta. Fica com vocês imaginar como o velho armou essa e como os parentes vão morrendo e tentando se defender.
Apaga a luz e sai, fecha a porta do escritório. Advocacia, Testamentos e Espólios. Dr. Erny Junior e Dr. Luiz Felipe Martins.
A riqueza lhe tinha vindo na adolescência, com os pais ainda vivos, quando da descoberta do petróleo no campo e morria ainda mais rico. Nasceu e cresceu matuto e morrerá matuto, mas tem filhos. Muitos casamentos. Explorado por todos. Não tem educação, mas todos a sua volta sim. Proveu bem a todos. Todos longe. O suficiente para esbanjar a fortuna de forma planetária. Sente que todos o desprezam. Retira-se para a mansão no campo original. O campo devastado, as máquinas, as bombas de petróleo. É onde passa os últimos anos. Morre sozinho.
Não deixou testamento. Uma nota é encontrada, dirigida a toda a família:
“Senhores,
Resolvi não deixar descendentes. Contratei a morte de todos.
Atenciosamente,
O morto.”
Aqui é que começa a história, como todos têm imaginação, mas o talento de contar histórias me falta. Fica com vocês imaginar como o velho armou essa e como os parentes vão morrendo e tentando se defender.
Friday, July 28, 2006
Anotações sobre o Deus Posterior
Um Deus Posterior. Por que não?
Isso deveria ser colocado na agenda da comunidade científica, bem assim como foi dito: trazer à luz alguém com bondade, sabedoria e poderes superiores, para salvar da morte aquilo que se originou de vapor d'água, metano, amônia e hidrogênio: os aminoácidos primitivos, que ganharam a capacidade de se locomover e destruir o berço que os pariu. Talvez o item bondade nem seja necessário e, possivelmente, atrapalharia a missão. Certo que haveria rebeliões, insufladas pelos 4 cavaleiros do apocalipse. Na matrix haveria de se colocar também o mapa do caminho pelo qual o rebanho será conduzido. Porém, não há sentido em chegar; o caminho teria de ser infinito.
Isso deveria ser colocado na agenda da comunidade científica, bem assim como foi dito: trazer à luz alguém com bondade, sabedoria e poderes superiores, para salvar da morte aquilo que se originou de vapor d'água, metano, amônia e hidrogênio: os aminoácidos primitivos, que ganharam a capacidade de se locomover e destruir o berço que os pariu. Talvez o item bondade nem seja necessário e, possivelmente, atrapalharia a missão. Certo que haveria rebeliões, insufladas pelos 4 cavaleiros do apocalipse. Na matrix haveria de se colocar também o mapa do caminho pelo qual o rebanho será conduzido. Porém, não há sentido em chegar; o caminho teria de ser infinito.
Thursday, July 27, 2006
O Deus Posterior.
Como estava falando outro dia, tenho absoluta certeza que a única forma de realmente trocar idéias, conversar, é por escrito. O sub-texto dos gestos deixa muito a desejar por demasiado sujeito ao falso e, no entanto, é largamente usado como o principal para o entendimento do que se fala ao vivo e a cores. Líquido, certo, morto e cinza.
Situações se conjuram e encontros sociais se tornam possíveis e cada um deles é uma história particular. Nunca nos encontramos, mas pelo menos um ambiente social freqüentamos. Um onde é possível conversar enquanto a dor nas costas permitir. Isso me lembra de não forçar. Continuo amanhã.
Mas falava sobre os encontros sociais. É bom manter uma certa coerência e, depois de várias taças de café, inúmeros cigarros e um teórico desjejum (que este escrever posterga) é até possível. Mas mais coerente é sobreviver, então é preciso comer. O conjunto dos gestos necessário para a confecção do sanduíche já me daria assunto para muitas páginas. Para começar, sair da cadeira. Ir ao banheiro já está a se tornar imperioso, aproveitarei a interrupção para realizar a alimentação. Em diferentes ambientes. Passos e mais passos. O ruído da descarga lembrando que tem de abrir o registro para encher a caixa d’água e mais... e mais...
Lembrei que não tem pão. Assim: uma constatação. Já não me enfureço com meu Alzaimher. A hora, que sempre corre quando escrevo, informa que o pão é desnecessário. Usualmente não almoço com pão. Mas é só um outro problema. Diário. Alimentação.
A vida precisa de matéria. A matéria é o substrato da vida. A matéria precisa de energia. A energia é o substrato da matéria. A vida é o substrato de quê? Julgo eu que da consciência, daquela que falam as mais altas manifestações do budismo.
Também nessa linha, mas bem mais amarga é a constatação óbvia de que a existência de nações, razão das maiores selvagerias, serviu maravilhosamente ao desenvolvimento da espécie. Durante um tempo deu à humanidade um competidor na exata altura. Mas já começa a não servir mais.
A única forma de controlar-se a proliferação exagerada e prejudicial é um comando único. Nenhuma tribo vai permitir que a outra seja mais poderosa, numerosa ou o que seja. Haverá um poder hegemônico sem a menor sombra de dúvida. Ou isso ou a espécie esgota o planeta.
Não é necessariamente terrível ou sombrio, mas será catastrófico com absoluta certeza. Mais delírio: aquilo que se baseia na vida - a consciência - dá tanto valor a vida quanto nós a matéria. É tudo a mesma coisa. Só tem que continuar existindo e servindo. Interessa aos “quantos”, não aos “quais”. Na onda budista é possível alcançar fazer parte desta consciência.
Impossível continuar escrevendo.
Já refeito dos efeitos diuréticos do café, alimentado e já percorrida a tarde em inúmeros não fazeres, voltei. Entre uma e outra coisa que não tinha de fazer, mas acabei por fazer, disso alijando o amanhã, alucinei por outros ângulos do problema humano.
Considerado o disponível tecnologicamente quanto a conforto e segurança física, nada há a desejar (esquecendo outros devaneios de vida eterna e saúde perfeita). Não se fala da distribuição disso, não é possível e nunca o será já nos níveis atuais de população. Do bem bom pra todo mundo já não é possível e, pior que isso, o meio ambiente deteriora a olhos vistos para todos agora, já, na cara de todos. Ninguém gosta de falar nisso e nem é do interesse da casta dominante que o resto se dê conta disso.
Já lá no outro delírio anterior: pode que esta consciência, que se apoiaria na vida como esta evidentemente se apóia matéria, precise só de espécies conscientes e tecnologicamente capazes. Surge quando estas espécies aparecem. E também evolui. O Deus Posterior. Não criou a vida, veio depois. Precisa só que existamos, os assuntos dela são outros. Como nós sobre a matéria, também aprende a manipular seu suporte da melhor forma para ela, não para nós. Somos só vida.
Situações se conjuram e encontros sociais se tornam possíveis e cada um deles é uma história particular. Nunca nos encontramos, mas pelo menos um ambiente social freqüentamos. Um onde é possível conversar enquanto a dor nas costas permitir. Isso me lembra de não forçar. Continuo amanhã.
Mas falava sobre os encontros sociais. É bom manter uma certa coerência e, depois de várias taças de café, inúmeros cigarros e um teórico desjejum (que este escrever posterga) é até possível. Mas mais coerente é sobreviver, então é preciso comer. O conjunto dos gestos necessário para a confecção do sanduíche já me daria assunto para muitas páginas. Para começar, sair da cadeira. Ir ao banheiro já está a se tornar imperioso, aproveitarei a interrupção para realizar a alimentação. Em diferentes ambientes. Passos e mais passos. O ruído da descarga lembrando que tem de abrir o registro para encher a caixa d’água e mais... e mais...
Lembrei que não tem pão. Assim: uma constatação. Já não me enfureço com meu Alzaimher. A hora, que sempre corre quando escrevo, informa que o pão é desnecessário. Usualmente não almoço com pão. Mas é só um outro problema. Diário. Alimentação.
A vida precisa de matéria. A matéria é o substrato da vida. A matéria precisa de energia. A energia é o substrato da matéria. A vida é o substrato de quê? Julgo eu que da consciência, daquela que falam as mais altas manifestações do budismo.
Também nessa linha, mas bem mais amarga é a constatação óbvia de que a existência de nações, razão das maiores selvagerias, serviu maravilhosamente ao desenvolvimento da espécie. Durante um tempo deu à humanidade um competidor na exata altura. Mas já começa a não servir mais.
A única forma de controlar-se a proliferação exagerada e prejudicial é um comando único. Nenhuma tribo vai permitir que a outra seja mais poderosa, numerosa ou o que seja. Haverá um poder hegemônico sem a menor sombra de dúvida. Ou isso ou a espécie esgota o planeta.
Não é necessariamente terrível ou sombrio, mas será catastrófico com absoluta certeza. Mais delírio: aquilo que se baseia na vida - a consciência - dá tanto valor a vida quanto nós a matéria. É tudo a mesma coisa. Só tem que continuar existindo e servindo. Interessa aos “quantos”, não aos “quais”. Na onda budista é possível alcançar fazer parte desta consciência.
Impossível continuar escrevendo.
Já refeito dos efeitos diuréticos do café, alimentado e já percorrida a tarde em inúmeros não fazeres, voltei. Entre uma e outra coisa que não tinha de fazer, mas acabei por fazer, disso alijando o amanhã, alucinei por outros ângulos do problema humano.
Considerado o disponível tecnologicamente quanto a conforto e segurança física, nada há a desejar (esquecendo outros devaneios de vida eterna e saúde perfeita). Não se fala da distribuição disso, não é possível e nunca o será já nos níveis atuais de população. Do bem bom pra todo mundo já não é possível e, pior que isso, o meio ambiente deteriora a olhos vistos para todos agora, já, na cara de todos. Ninguém gosta de falar nisso e nem é do interesse da casta dominante que o resto se dê conta disso.
Já lá no outro delírio anterior: pode que esta consciência, que se apoiaria na vida como esta evidentemente se apóia matéria, precise só de espécies conscientes e tecnologicamente capazes. Surge quando estas espécies aparecem. E também evolui. O Deus Posterior. Não criou a vida, veio depois. Precisa só que existamos, os assuntos dela são outros. Como nós sobre a matéria, também aprende a manipular seu suporte da melhor forma para ela, não para nós. Somos só vida.
Tuesday, July 25, 2006
Palavras
Escrever é bom, porque as palavras não fogem.
Quer dizer, às vezes elas fogem. Aí, escrever é ruim.
Mas não por muito tempo, porque é fácil parar de ver as palavras fugirem.
Basta deixar os dedos quietinhos. Então, as palavras vêm (de curiosas) ver o que se passa e... ZAP! A gente pega e gruda elas por dentro do monitor.
Palavras grudadas ficam paradinhas e não fogem mais.
Parecem mortas. Algumas até estão, mas não todas.
Palavra morta é triste.
Palavra paradinha que tá viva é diferente. Ela fica ali, como quem não quer nada, se fazendo de morta, até que ZAP!, prende o pensamento de alguém.
Às vezes não solta nunca mais.
Noutras, se distrai e aí quem foge é o pensamento.
Quer dizer, às vezes elas fogem. Aí, escrever é ruim.
Mas não por muito tempo, porque é fácil parar de ver as palavras fugirem.
Basta deixar os dedos quietinhos. Então, as palavras vêm (de curiosas) ver o que se passa e... ZAP! A gente pega e gruda elas por dentro do monitor.
Palavras grudadas ficam paradinhas e não fogem mais.
Parecem mortas. Algumas até estão, mas não todas.
Palavra morta é triste.
Palavra paradinha que tá viva é diferente. Ela fica ali, como quem não quer nada, se fazendo de morta, até que ZAP!, prende o pensamento de alguém.
Às vezes não solta nunca mais.
Noutras, se distrai e aí quem foge é o pensamento.
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