Essa deve agradar a gregos e goianos. Trata-se de um ridículo que, como não é teu, vai ser só divertido: “a mais alta manifestação da dor estética consiste essencialmente na alegria”. Li isso e guardei, não lembro de quem, talvez Novalis. Então é isso, volto, mais afeito a provocar uns sorrisos algo doloridos.
Dúvidas a respeito de afetos e do que os motiva é humano e comum. Não creio que irracionais as tenham. Uma vez estabelecido o laço afetivo ele jamais será posto em dúvida enquanto a situação não exigir. Como esses bichos não raciocinam, não ficam inventando coisas.
Isso chamou minha a atenção porque no distúrbio bi-polar essa área é profundamente atingida. O cara, e creiam que eu sei e me confesso, não consegue ter certeza se quem está com ele não o faz por alguma vantagem, não está só “se aproveitando” como todos os outros que já anteriormente provaram isso.
Em algum lugar já falei que os mais chegados são os mais atingidos, os mais feridos, os mais ofendidos. E é óbvio. É deles, pela proximidade, que o mundo (quando mau e cruel) se usa para massacrar, magoar, atingir, ferir, ofender. Mas nunca de maneira direta como ele faz, são insidiosos, fingem, atuam até em conjunto. Como o bi-polar já chateou tanto os amigos anteriores que estes tiveram de se afastar para não levar mais porradas (no ponto de vista deles, e com toda injustiça, agressões gratuitas) está provado que todos são traidores. Esse, todos, e mais os que virão.
O mundo de um louco é povoado por si mesmo. Existem ali as pessoas que justificam perfeitamente seu comportamento.
Em geral o bi-polar tem defensivamente o maior orgulho de desprezar a opinião dos outros. Eles podem não gostar de mim, até lhe ofereço motivo... Depois se auto-explica: eu sabia que esse cara só queria se aproveitar... joguei na cara dele e se ofendeu... Pura burrice, loucura extremada! Faz isso normalmente, mas identificará em outros o mesmo procedimento delirante com absoluta nitidez.
É perfeitamente claro que a uma insinuação destas, mesmo um aproveitador vai reagir mal, pior ainda os injustiçados e isso fecha o círculo vicioso que, SE a fase maníaca não resultar em prejuízo material perceptível, a vítima vai esconder. Não só as fase maníacas, vai esconder que vive tenso e orgulhosamente sobrevivendo a própria paranóia num ambiente que ele mesmo se esforçou por tornar especialmente insalubre.
Dúvidas a respeito de afetos e do que os motiva é humano e comum. Não creio que irracionais as tenham. Uma vez estabelecido o laço afetivo ele jamais será posto em dúvida enquanto a situação não exigir. Como esses bichos não raciocinam, não ficam inventando coisas.
Isso chamou minha a atenção porque no distúrbio bi-polar essa área é profundamente atingida. O cara, e creiam que eu sei e me confesso, não consegue ter certeza se quem está com ele não o faz por alguma vantagem, não está só “se aproveitando” como todos os outros que já anteriormente provaram isso.
Em algum lugar já falei que os mais chegados são os mais atingidos, os mais feridos, os mais ofendidos. E é óbvio. É deles, pela proximidade, que o mundo (quando mau e cruel) se usa para massacrar, magoar, atingir, ferir, ofender. Mas nunca de maneira direta como ele faz, são insidiosos, fingem, atuam até em conjunto. Como o bi-polar já chateou tanto os amigos anteriores que estes tiveram de se afastar para não levar mais porradas (no ponto de vista deles, e com toda injustiça, agressões gratuitas) está provado que todos são traidores. Esse, todos, e mais os que virão.
O mundo de um louco é povoado por si mesmo. Existem ali as pessoas que justificam perfeitamente seu comportamento.
Em geral o bi-polar tem defensivamente o maior orgulho de desprezar a opinião dos outros. Eles podem não gostar de mim, até lhe ofereço motivo... Depois se auto-explica: eu sabia que esse cara só queria se aproveitar... joguei na cara dele e se ofendeu... Pura burrice, loucura extremada! Faz isso normalmente, mas identificará em outros o mesmo procedimento delirante com absoluta nitidez.
É perfeitamente claro que a uma insinuação destas, mesmo um aproveitador vai reagir mal, pior ainda os injustiçados e isso fecha o círculo vicioso que, SE a fase maníaca não resultar em prejuízo material perceptível, a vítima vai esconder. Não só as fase maníacas, vai esconder que vive tenso e orgulhosamente sobrevivendo a própria paranóia num ambiente que ele mesmo se esforçou por tornar especialmente insalubre.
O bi-polar comumente interpreta o sintoma maior da doença como inspiração, um barato pessoal do qual não vai abrir mão: estar empolgado (afinal não é isso o que todos queremos?). Se o fizer na presença de alguém vai sentir-se humilhado por ter tido essa "fraqueza" (esqueci de dizer que para esconder uma sensibilidade a flor da pele, desenvolvi um cinismo exacerbado do qual gosto e que não me abandonou com o tratamento. Aliás, só tive vantagens em todas as frentes).
Mas voltando ao cara que não se aceita. Qualquer sugestão de tratamento ou de existência do distúrbio é, se a situação social o permitir, ridicularizada. Vai mentir, vai proteger a possibilidade de ser quem gosta porque isso não faz mal. É, em grande parte dos casos, muito inteligente. Se não bebe até cair nem joga dinheiro para cima. É normal.
A sacanagem é que muitas vezes o barato maníaco é o exercício descontrolado de um prazer, o maior deles: se sentir o máximo. Nesse ponto entra o raciocínio mais corrosivo de todos: se sou feliz assim não vou me privar disso, os outros que se fodam.
Mas tem detalhes. Primeiro que a situação “inspirado” existe independente da fase maníaca e é mais freqüente e mais produtiva. Pude perceber isso porque no meu caso o achar que podia fazer tudo resultava em dano materiais, pessoais ou não, gravíssimos. Não poderia continuar, a possibilidade de cura (apenas em função dos prejuízos, esclareço) me alegrou, ansiava por algo que fosse efetivo. Ainda assim, inconscientemente me sabotei várias vezes deixando de tomar a medicação, coisa compreensível dado o prêmio enorme que é o sintoma mais evidente da doença o delírio de “sentir-se capaz”. Nada contra isso, mas o sentir-me capaz também incluía beber. Não esperava não perder nada ou ficar tão melhor, queria apenas não morrer bebendo.
Mas voltando ao cara que não se aceita. Qualquer sugestão de tratamento ou de existência do distúrbio é, se a situação social o permitir, ridicularizada. Vai mentir, vai proteger a possibilidade de ser quem gosta porque isso não faz mal. É, em grande parte dos casos, muito inteligente. Se não bebe até cair nem joga dinheiro para cima. É normal.
A sacanagem é que muitas vezes o barato maníaco é o exercício descontrolado de um prazer, o maior deles: se sentir o máximo. Nesse ponto entra o raciocínio mais corrosivo de todos: se sou feliz assim não vou me privar disso, os outros que se fodam.
Mas tem detalhes. Primeiro que a situação “inspirado” existe independente da fase maníaca e é mais freqüente e mais produtiva. Pude perceber isso porque no meu caso o achar que podia fazer tudo resultava em dano materiais, pessoais ou não, gravíssimos. Não poderia continuar, a possibilidade de cura (apenas em função dos prejuízos, esclareço) me alegrou, ansiava por algo que fosse efetivo. Ainda assim, inconscientemente me sabotei várias vezes deixando de tomar a medicação, coisa compreensível dado o prêmio enorme que é o sintoma mais evidente da doença o delírio de “sentir-se capaz”. Nada contra isso, mas o sentir-me capaz também incluía beber. Não esperava não perder nada ou ficar tão melhor, queria apenas não morrer bebendo.
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