Ainda não estava óbvio para mim que a única maneira de escrever é como se estivesse batendo um papo. De outro jeito não me interessa. Posso até contar algumas coisas das mais horrendas nas tantas erradas em que entrei. Até certo ponto, certa altura, fui um péssimo representante de mim mesmo. Alguns quadros são notáveis, mas me colocar em alguma obrigação de coerência é tolice. Não sou coerente.
Errando aprendi a errar mais. Aperfeiçoei ao limite a capacidade de escolher o pior caminho e seguir por ele estoicamente, vítima de minha própria estupidez e movido unicamente por apaixonado desinteresse por tudo. Nada fazia sentido e a única certeza é que a vida era uma sacanagem muito grande, uma piada de gosto lamentável onde o motivo da chacota era sempre eu. Minhas emoções a respeito de qualquer assunto variavam da consideração mais racional e luminosa, verdadeiramente inspirada, até a cretinice mais absurda e uma raiva irracional que a muitos custou feridas. Das minhas posso tratar, mas e das infligi aos amigos?
De certa forma as mais fortes referências emocionais de um maluco bi-polar são as vítimas mais freqüentes da paranóia associada. Dependendo do humor, a ajuda que recebi de alguém, e bem a vi como tal na ocasião, vai parecer, num outro momento, a mais vil traição. Acredite, é possível.
Porque julgo da maior utilidade – me teria sido muito útil – vou tentar descrever como se instala o período maníaco da bipolaridade, o momento em que a vítima pensa e concorda consigo mesmo que pode exercer a sua mania só um pouquinho. Mas, atenção, esse momento já não é lúcido: outras besteiras podem ter sido feitas, decisões erradas tomadas e até a procura do motivo adequado para o passo decisivo no rumo do desastre certo.
Não sou técnico, mas pensei muito sobre o assunto. Tive de olhar bem na minha cara. Para prever e minimizar os períodos em de qualquer forma estou deprimido, mas já não sofrendo com isso ( explico depois ). Tenho de examinar constantemente a forma como estou pensando, como está o meu humor em relação a coisas cuja relação comigo é imutável. Qual o nível crítico aceitável de variação nos meus julgamentos? Quanto ácido valpróico tenho em estoque? Essas coisinhas só dependem de um esforço mínimo.
Se e quando tiver um psicótico a espreita destas linhas, saiba que de modo algum sou ou serei manso na autocrítica. Vou expor com a clareza possível o quanto é inteiramente possível controlar a doença e, principalmente, o quanto é interessante para a vítima NÃO a controlar.
Errando aprendi a errar mais. Aperfeiçoei ao limite a capacidade de escolher o pior caminho e seguir por ele estoicamente, vítima de minha própria estupidez e movido unicamente por apaixonado desinteresse por tudo. Nada fazia sentido e a única certeza é que a vida era uma sacanagem muito grande, uma piada de gosto lamentável onde o motivo da chacota era sempre eu. Minhas emoções a respeito de qualquer assunto variavam da consideração mais racional e luminosa, verdadeiramente inspirada, até a cretinice mais absurda e uma raiva irracional que a muitos custou feridas. Das minhas posso tratar, mas e das infligi aos amigos?
De certa forma as mais fortes referências emocionais de um maluco bi-polar são as vítimas mais freqüentes da paranóia associada. Dependendo do humor, a ajuda que recebi de alguém, e bem a vi como tal na ocasião, vai parecer, num outro momento, a mais vil traição. Acredite, é possível.
Porque julgo da maior utilidade – me teria sido muito útil – vou tentar descrever como se instala o período maníaco da bipolaridade, o momento em que a vítima pensa e concorda consigo mesmo que pode exercer a sua mania só um pouquinho. Mas, atenção, esse momento já não é lúcido: outras besteiras podem ter sido feitas, decisões erradas tomadas e até a procura do motivo adequado para o passo decisivo no rumo do desastre certo.
Não sou técnico, mas pensei muito sobre o assunto. Tive de olhar bem na minha cara. Para prever e minimizar os períodos em de qualquer forma estou deprimido, mas já não sofrendo com isso ( explico depois ). Tenho de examinar constantemente a forma como estou pensando, como está o meu humor em relação a coisas cuja relação comigo é imutável. Qual o nível crítico aceitável de variação nos meus julgamentos? Quanto ácido valpróico tenho em estoque? Essas coisinhas só dependem de um esforço mínimo.
Se e quando tiver um psicótico a espreita destas linhas, saiba que de modo algum sou ou serei manso na autocrítica. Vou expor com a clareza possível o quanto é inteiramente possível controlar a doença e, principalmente, o quanto é interessante para a vítima NÃO a controlar.
Suponho que o tempo acabou. Prometo mais assiduidade.
1 comment:
Vamos estabelecer que isto tem que ser igual novela da Globo, ou seja, um capítulo pelo menos por dia?
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