Aparentemente uma rotina simples. O azar de estar envolvido na história do parque mais o clube, os amigos e um cabaré classe “A+”, a Carmem. Chamado de Doutor Humberto pelo porteiro, uísque velho paca, salamaleques e coisa e tal. Tudo os dois olhos da cara. Joe tinha charme e dinheiro nunca faltou. Nada nababesco como o miserável que vigiava, mas grana não faltava.
Sacou a favorita e foi nela. Tereza. Nada de informação importante. Mas boa, sensual, nada esquelética. A mulher que os homens não querem desfilar, mas devorar devotadamente. Um objeto tão lindo que gosta de ser objeto, como uma paisagem mais bonita porque sabe que é olhada. Mais desejável porque sabe disso. Uma artista. Fácil se envolver, mas ela não quer envolvimento.
Joe não é novo na noite. Conhece. Possível que uma mulher daquelas, descontado o da casa, fature mais do que ele tomando chuva a olhar camisas. Bons artistas não fingem, tem aquela coisa de banco de emoções. Coisa mais talento que prática. Tereza gosta e goza. Não vai com quem não quer. Vai ter menos um freguês, possivelmente vai ser investigada. O alemão olho bem azul com marca de nascença embaixo do queixo, grande como uma moeda e que Joe não é, vai ser procurado. O alemão foi quem perguntou pelo doutor.
Era só. Foi duas vezes a Carmem. Na primeira bebeu pouco e só vinho. Foi como francês e deliciosamente fez o que se esperava e o ganho foi observar que o cretino tinha uma preferida. Da outra vez, com a preferida. Fim. Nada conseguiu, mas deixou um rastro falso eficiente. Se fossem até ali dali não passariam. Se o cara tinha alguma tara esquisita capaz de matá-lo acidentalmente, não era com Tereza ou ela não sabia ou não diria. Um beco sem saída. Nenhuma informação, só uma trepada e tanto. Ainda azar, mas já estava melhorando.
De resto o clube era golfe. Joe não sabia nada de golfe e disfarce de cadi ou taco seria demais. Sorriu ao pensar numa bomba no carrinho do equipamento. Espanto na mídia, “Terror nos Campos de Golfe - Elite em Polvorosa”. Demasiado complicado. Fazer uma bomba deixa rastros. Teria de ser detonação à distância. Muitas variáveis e a indispensável proximidade. Só prá distrair a cabeça. Não dá.
Tiro. Considerando o golfe, fácil. A poética do jogador solitário com os miolos espalhados pela folhagem é tentadora. Um tiro de pelo menos trezentos metros. Era capaz. Melhor, fora capaz. Já não tinha acesso ao equipamento. Munição confiável, lunetas e, principal, o próprio fuzil. Entregara tudo ao Galhardo como um favor/penhor que lhe valia a droga que consumia. Quase nada e só haxixe. Não, tiro não seria.
Havia momento em que o cara estava vulnerável. Depois do parque invariavelmente parava num café, ficava um tempo com um jornal na cara. Seria depois. Durante as baforadas do invejável charuto que acompanhava o café com creme e sem açúcar. O fumo poderia ser assunto para aproximação. O método seria veneno. A forma mais sórdida, o veneno de ação lenta.
Vai morrer aproximadamente cinco horas depois do cafezinho. Pena as cólicas horríveis. Literalmente esvaído em fezes e sangue. Inconveniência que Joe não sabia com evitar. Nem pretendia, entre as frases que gostava de citar estava “carcaça não é para olhar, é para se afastar”.
Sacou a favorita e foi nela. Tereza. Nada de informação importante. Mas boa, sensual, nada esquelética. A mulher que os homens não querem desfilar, mas devorar devotadamente. Um objeto tão lindo que gosta de ser objeto, como uma paisagem mais bonita porque sabe que é olhada. Mais desejável porque sabe disso. Uma artista. Fácil se envolver, mas ela não quer envolvimento.
Joe não é novo na noite. Conhece. Possível que uma mulher daquelas, descontado o da casa, fature mais do que ele tomando chuva a olhar camisas. Bons artistas não fingem, tem aquela coisa de banco de emoções. Coisa mais talento que prática. Tereza gosta e goza. Não vai com quem não quer. Vai ter menos um freguês, possivelmente vai ser investigada. O alemão olho bem azul com marca de nascença embaixo do queixo, grande como uma moeda e que Joe não é, vai ser procurado. O alemão foi quem perguntou pelo doutor.
Era só. Foi duas vezes a Carmem. Na primeira bebeu pouco e só vinho. Foi como francês e deliciosamente fez o que se esperava e o ganho foi observar que o cretino tinha uma preferida. Da outra vez, com a preferida. Fim. Nada conseguiu, mas deixou um rastro falso eficiente. Se fossem até ali dali não passariam. Se o cara tinha alguma tara esquisita capaz de matá-lo acidentalmente, não era com Tereza ou ela não sabia ou não diria. Um beco sem saída. Nenhuma informação, só uma trepada e tanto. Ainda azar, mas já estava melhorando.
De resto o clube era golfe. Joe não sabia nada de golfe e disfarce de cadi ou taco seria demais. Sorriu ao pensar numa bomba no carrinho do equipamento. Espanto na mídia, “Terror nos Campos de Golfe - Elite em Polvorosa”. Demasiado complicado. Fazer uma bomba deixa rastros. Teria de ser detonação à distância. Muitas variáveis e a indispensável proximidade. Só prá distrair a cabeça. Não dá.
Tiro. Considerando o golfe, fácil. A poética do jogador solitário com os miolos espalhados pela folhagem é tentadora. Um tiro de pelo menos trezentos metros. Era capaz. Melhor, fora capaz. Já não tinha acesso ao equipamento. Munição confiável, lunetas e, principal, o próprio fuzil. Entregara tudo ao Galhardo como um favor/penhor que lhe valia a droga que consumia. Quase nada e só haxixe. Não, tiro não seria.
Havia momento em que o cara estava vulnerável. Depois do parque invariavelmente parava num café, ficava um tempo com um jornal na cara. Seria depois. Durante as baforadas do invejável charuto que acompanhava o café com creme e sem açúcar. O fumo poderia ser assunto para aproximação. O método seria veneno. A forma mais sórdida, o veneno de ação lenta.
Vai morrer aproximadamente cinco horas depois do cafezinho. Pena as cólicas horríveis. Literalmente esvaído em fezes e sangue. Inconveniência que Joe não sabia com evitar. Nem pretendia, entre as frases que gostava de citar estava “carcaça não é para olhar, é para se afastar”.
Anotara o charuto pedindo informação, no próprio café, sobre rua que não lhe interessava em absoluto, mas por perto. Não chamar atenção ou chamar muita disfarça igual. Foi vestido de palhaço. Uma monstruosidade, um susto que anda, chamativo como um Pateta na Disneylândia, tão identificável quanto. Dois metros e meio de altura. Todo suado, um enchimento quentíssimo. Péssima idéia. Andava como trezentos quilos prestes a desabar das pernas de pau. E desabou. Quando voltava a ser Joe. Longe de tudo, de ajuda inclusive. Torceu o pé. Ódio sempre pode aumentar. Saiu do hospital na mesma tarde, enfaixado e de muletas. Já muito além da raiva, estava determinado a eliminar o problema fosse quem fosse o sacana.
1 comment:
To ansiosa pela próxima parte.
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