Saturday, July 22, 2006

Assuntos.



Não achei título melhor e esse texto vai diferente, faço antes. É comum. Muito mais o escrever me dita que dirijo a cena. Bem como delirar numas quaisquer. Em vez de estar discutindo com o patrão coisas que nunca vai ter sequer a possibilidade de falar, tal a dimensão da não realidade em que a maioria dos “ditos” pensamentos transcorre, a criatura poderia estar escrevendo e erguer o próprio patíbulo enviando por carta. Depois tenta salvar algum processando o patrão ou publicando como estudo sociológico.

A maior parte da vida cotidiana, por calma que seja, se passa num ambiente que para a maioria dos observadores, mesmo urbanos, é de uma mesmice enganadora. Se cada um examinar seus pensamentos enquanto os está tendo (e é possível, tu sabes que estás lendo e que estás lendo a mim e etc e tal*), no ato de responder ao quitandeiro com a ladainha de sempre, mas pensando cada vez coisa diferente, vai verificar imensa riqueza de detalhes e em se dando conta disso aumentar essa cota. Podendo inclusive se massacrar com muito mais preocupações.

Antes que esqueça definitivamente o que é o asterisco, é o seguinte: podemos assistir o que estamos pensando, mas isso se dá ( tenho essa impressão ) através da intervenção de um controlador que interrompe o fluir, bom ou nefasto, e o considera. Acredito que tornar essas interrupções o mais freqüentes possível seja o que essa montanha de livros de auto-ajuda quer dizer com “tornar-se consciente”. É simples e não tem picas com parapiscologia, holismo, metafisicismo ou que tais. Sendo que deste último adjetivo só sei que Adibharma o tinha e isso segundo Augusto dos Anjos, que eu mesmo não conheço nenhum dos dois. Nem metafisicismo nem Adibharma.

E, retomando, esse tal controlador, em se dando conta da barbaridade que se está pensando, pode escolher continuar nela ou carregar outro assunto. Qualquer o assunto imaginado, qualquer a solução, o circo que se deseje, as coisas sempre se realizam de outra maneira. A maioria das vezes, nem sempre, pensar, quando não é concentrado num problema específico e de variáveis claramente conhecidas, é inútil, cansativo e, como tal, prejudicial. Um saco. Olhar é muito melhor.

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