Monday, July 17, 2006

Atalaia II



Demos um jeito na porta com alguns pregos prendendo a tranca da fechadura. O marco da porta ficou destroçado pelo arrombamento. Comer algo. Queijo cozido na brasa de latas de muito antigamente qualquer coisa e cerveja. Carnaval rolando em volta. Duas pessoas por metro quadrado por quilômetros de praia e dezenas de trios elétricos e bares, todos com o som a milhão. Perto de qualquer deles se entendia alguma coisa, mas a concentração de bêbados por metro aumentava insuportavelmente. Cantores atiravam camisinhas na platéia, a farta. Impossível fazer qualquer coisa que não entrar na onda.

É para baixo? Estou nessa.

A farra só amainou uma semana depois. Culpa do Carnaval. Naquele tempo a ressaca ainda era suportável. Comecei a conhecer o terreno, a firma que tinha contratado a informatização da prefeitura. Um aplique nojento gerenciado por um crápula que, entre outras coisas explorava a própria família num restaurante onde a mãe era cozinheira e os irmãos o restante do pessoal. Todos por casa e comida que, afinal, tinha montado o negócio para que eles pudessem viver, mas o lucro era dele. Contou como “o” samaritano.

Cheguei com o barco andando, máquina instalada e o sistema quase pronto. Entrei com uma proposta de aditamento do contrato com a prefeitura para aumentar o dreno, mas não rolou. Ajudei muito pouco. Era vez do Mano trabalhar e alguém tinha de tratar da gênese das confusões que em seu tempo eram o fito, a essência da Coluna Merdas. Foi a primeira experiência de viver na praia. Trago liberado e tempo para exercer o talento em encher a cara e aprontar merda. Eu, o galego irmão do gaúcho, fazendo picas, patrocinando cerveja, cheio de prostituta bonita pra namorar.

Mais na lida da sede que da fome, estive em orgias que não lembro, fiquei noivo várias vezes (uma gravemente, de uma menina filha de uma família de feirantes em Feira de Santana, menor de idade e doidinha por um galego-look nos filhos). Mas os desastres de pouca monta foram bem divertidos e às suturas necessárias hoje falta a dor associada. Dá para brincar de contar e eu gosto.

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